Perdi... e agora? - Processo de Luto

March 1, 2017

Já todos perdemos alguém ou alguma coisa. Infelizmente este é um processo normal e parte integrante do ciclo de vida, com o qual temos que lidar. Mas o que é exactamente o processo de luto? O luto é uma reacção emocional a uma perda significativa, sendo este um processo necessário para o preenchimento do vazio.

 

Quando se fala em perda, implica não só a vivência de uma morte, como de sonhos, objectivos, planos, emprego, separação, entre outros. Perder significa, deixar de ter algo, dando lugar a um vazio que precisamos de preencher.

O processo de perda nunca é fácil, e, muitas vezes, a ele vem associado medos e angústias que nos impossibilitam de o ver como um processo natural. É importante perceber que todos nós somos diferentes, e por isso, reagimos e operamos de forma diferente em determinadas situações, sendo que não existe uma forma mais correcta do que outra.

 

Fases do Processo de Luto:

  1. Fase de Choque e Negação - Esta fase é marcada pela descrença da perda, uma sensação de que aquilo que se vive não é real. A fase da negação, é a não aceitação da dor, surgindo como uma defesa; Pensamentos Comuns: "Isto não é real" "vai passar"

  2. Fase de Protesto / Raiva - É caracterizada por emoções fortes, por sofrimento psicológico e pelo aumento da agitação física. Nesta altura, podem manifestar-se sentimentos de raiva e culpa contra si próprio (por não ter conseguido fazer mais nada) ou contra outros significativos; Pensamentos Comuns: "Não é justo" "Porquê eu?" "tudo me acontece" "Eu devia ter feito / ter ligado mais" "A Culpa é minha"

  3. Fase de Desespero - Associa-se a momentos de apatia e sintomas depressivos, podendo levar ao isolamento social e a um desinvestimento nas actividades diárias, aumentando o desinteresse, as dificuldades de concentração e os sintomas físicos (insónias, perda de peso e de apetite, entre outras) Pensamentos Comuns: “Não vou aguentar” “Não sei lidar com isto” “Nunca mais vai ficar tudo bem”

  4. Fase de Reorganização - Esta é a última fase do luto. É o momento da aceitação da perda sem desespero ou negação. Nesta fase, o espaço vazio deixado pela perda é preenchido, sendo um processo que está dependente da capacidade que a pessoa tem em mudar a perspectiva e preencher o vazio. Pensamentos Comuns: “Não é o fim do mundo” “Eu sei que foi melhor assim” “Vou conseguir aprender com isto”

Estas são as fases normais do processo de luto, no entanto, as mesmas não têm de ocorrer pela ordem descrita, e existem casos, em que não estão presentes todas as fases.

Este processo depende de pessoa para pessoa, da faixa etária, do tipo de vinculação existente e das causas e circunstâncias de cada perda. Depende também da estrutura emocional de cada um, das vivências e da capacidade para lidar com perdas.

 

Quanto à duração do processo, não existe uma resposta conclusiva. Ainda assim, sabe-se que a fase que dura mais tempo, é a fase de desespero, ou seja, a fase associada a sintomas depressivos e sofrimento psicológico.

A psicoterapia poderá auxiliar o indivíduo no decorrer deste processo, na medida em que é um espaço no qual o paciente pode expressar a sua dor, ao mesmo tempo que promove o desenvolvimento de mecanismos internos que permitem superar as fixações ou bloqueios, com vista à aceitação da perda e a um reposicionamento no mundo real (Parkes, 1998)

 

Como lidar com a perda (Algumas sugestões):

  • Aceite - O primeiro passo é aceitar. É entender aos poucos que, nada podemos fazer para mudar o presente. Aceitar facilita o processo de transformação da tristeza num sentimento positivo e de aprendizagem;

  • Conversar - Outra coisa importante durante este processo, é conversar com alguém sobre a dor. Desabafar com alguém acerca dos seus sentimentos e pensamentos, não se isolando. Não precisa de passar por isso sozinho/a;

  • Desapego - O próximo passo é tentar iniciar o desapego de tudo que envolve a perda. Este não é um processo fácil, mas é necessário. Tente retirar o foco da dor e transferir isso para algo novo. Ou seja, ao invés de perguntar “porquê eu?” pergunte-se “porque não a mim?”;

  • Lembranças positivas - valorizar o que foi vivido antes da perda ajuda a lidar com a dor da situação. Que coisas boas existiram antes da perda? São esses momentos que têm e devem ser valorizados;

  • Presente - Viva o presente e envolva-se com novas ideias, pessoas e projectos que ajudem a reforçar o sentido positivo da vida, e que sejam aliadas na hora de deixar a dor da perda no passado.

“ Ser feliz não é ter uma vida perfeita. Mas usar as lágrimas para irrigar a tolerância. Usar as perdas para refinar a paciência. Usar as falhas para esculpir a serenidade. Usar a dor para lapidar o prazer. Usar os obstáculos para abrir as janelas da inteligência “

                                                                                                                                                                                  Augusto Cury

 

 

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